terça-feira, 23 de maio de 2017

Dores e Desejos


Está de noite lá fora,
E aqui dentro já nem sei.
Meus pensamentos são um misto
De dores e desejos.
De sonhos e realidades cruéis.
A música que antes ouvia,
Hoje é apenas um zumbido.
E o peito é um risco negro.
Eu tive chances, tive sim.
Poderia ter sido diferente.
Mas nada é tão simples
Quando se trata da gente.
E o frio que insistia em entrar,
Invadiu de vez e ficou em mim.
Lá fora algum casal prometeu amor eterno,
Pude ouvi daqui da janela, e sorri
O amor é só isso?
Palavras bonitas em noites estreladas?
Ou é essa ferida que aperta todo dia?
Já nem sei mais.
Sei apenas que você não apareceu.
Meus olhos percorrem a rua, tão vazia...
Os raios avisam: amanheceu!
São eles minha única companhia.

A.F


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Dos dias sem fim


Tinha tanto o que falar.
Agora vejo que não.
As palavras não saberiam julgar,
Os diversos sentimentos em mim.
Nasci de nua estrutura.
E o tempo me vestiu de sabedoria.
Não sou dona da razão e nem sua.
Sou dona da minha rima.
Das incertezas que optei descartar.
Das verdades que comecei a contar.
Sou um pouco da ruína.
Dos destroços que vieram.
Nenhuma dor é em vão, disseram.
E o recomeço sempre será opção.
Venho apenas olhar,
Não quero causar nenhum mal.
Nem a você e muito menos à mim.
Que fique o que de bom restou.
Afinal, houveram dias sem fim.

A.F

terça-feira, 18 de abril de 2017

Murmúrios





Não sei como vim parar aqui.
Somente estou.
Mãos geladas, peito palpitando.
Ouço tambores, buzinas e barulhos estranhos.
Todos vindo de mim; dentro de mim.
Sou uma em mil versões do que fui um dia.
Maldito dia que te vi.
Não sei ainda a razão de tanto alarde.
Era só um encontro, algumas palavras trocadas.
E ainda não era tarde para falar de sentimentos.
Mas existe a hora exata?
Existe algum pré-requisito?
Se existia, não o sabia, admito.
E falei das mentiras e das verdades.
Sentia que podia me abrir com alguém, outra vez.
Mas nem tudo é tão simples.
As vezes é muito pior.
Só que eu não sabia, e me envolvi sem temer.
E quando vi que não sentia o mesmo.
O desespero foi imediato, e os tambores soaram.
A gritaria em minha cabeça.
A insonia de madrugada.
Toda a merda já vivida,
Toda droga já sentida,
Toda raiva expressada.
Tudo voltara.
E o ressentimento foi crescendo,
Não me via mais aqui.
A dor virou refúgio,
E de novo sumi.
E o que resta são os murmúrios,
De bocas, de olhos, de coisas.
Qualquer coisa que dizem por aí.
Já não sou quem sempre fui.
Não é crime matar quem nunca vi?

A.F

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

TOP = Faixa do Djavan (6°)

Te devorei na primeira faixa do Djavan.
E se você demorasse, eu morreria.
O milagre de Deus, você em meus olhos.
Não pensei, apenas o vi.
Tudo fugiu de mim, tudo saiu do chão.
Não sei para onde fui, sei apenas que o mirei.
E não penso em mais nada, em mais nada.
Não quero outra vida, quero devorar-te.
Devorar cada beijo que seus lábios guardam.
E cada afago que seus dedos oferecem.
Tens sinais claros, e todos estão me convidando.
Convite dado ou não, quero mesmo você.
De mãos dadas no parque.Ou em um dia frio.
Nós em qualquer lugar, ao som daquela canção.
Sei que o vi, e depois de ti não sei mais de nada.
E se você demorasse, eu morreria,
Mas nasceria para te amar de novo, e de novo e outra vez...


A.F.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

É isso


O amor não exige nada.
Ele simplesmente é.
Debaixo da coberta.
No pó do café preto.
Nas sandálias azuis.
No aceno suave.
Nos pelos do peito.
Nas unhas recém pintadas de vermelho.
O amor é sutil.
Não todo o estrondo inflamado.
Simplesmente é ávido.
E ele chega, um dia chega.
Bem na hora, mas nem tanto aguardado.
E quando ele chegar,
Não se preocupe por não estar preparado.
Acontece.
Acontece e é isso.

A.F.