terça-feira, 10 de maio de 2016
Enevoado
Entre tantas palavras para dizer,
Não me vem sequer uma,
E fico muda diante de você.
Como queria ser mais ousada.
Olhar em seus olhos e falar,
Tudo que carrego em mim.
Anos de mentiras e verdades.
Uma irrealidade.
A culpa é toda minha, sim,
Não negarei jamais.
E a dor de amar e não ser amada,
É a que me imobiliza mais.
A boca seca, a garganta engasga,
O pulso acelerado,
E meu peito angustiado.
E o resultado?
Você em outros bracos, mas
Nos meus pensamentos embriagados,
De um amor enevoado.
A.S.
Vile
Em volta de ti, sinto-me mais.
A delícia de ter seu corpo,
De sentir seu cheiro no meu cabelo,
De amar de manhã,
E acordar exausta.
É mania de você,
Que invade minha lucidez.
E vence a insensatez.
Do sabor que acaricia meus lábios.
Um torpor delirante que vem.
E dou-te de mim o que tens.
Não sendo mais dona do que era.
Estou e sou inteiramente tua.
As loucuras, e quisera,
Ser e permanecer em teus braços.
Com as pernas e os laços,
Em torno do seu quadril.
Beijar e ser beijada docemente,
Em mil maneiras vil.
A.S.
Sobre as pedras
Talvez nao tenha entendido direito,
No contexto exato que se deveria sentir.
As pequenas sensacoes do prazer,
Dos amores que perdi.
E nos dedos cabem exatos quatro, cinco,
Ou alguns, quem sabe apenas um.
Dos instintos que me excluem de mim.
E talvez entendi tao bem,
Que continuo nessa de fingir,
Guardando o que tenho só para o fim.
Um pouco do que resta,
É muito para o amor.
Se amar for o que nao despreza,
E persiste mesmo na dor.
E mesmo que me tirem as arestas.
Retas e curvas que me guiam, eu vou.
Em sentido contrário do que já passou.
Por viver o que me tem sido dado.
Nao para sofrer, mas sim ser perdoado.
E se já estou no fim,
O mesmo que é tao aguardado.
Finjo que sorrindo ganho,
Mesmo em lágrimas derrotado.
A.F.
domingo, 3 de abril de 2016
De hoje em dia
Meus versos estão em transe contínuo.
Caro, não serei a mesma de ontem.
São coisas que já deveria saber.
Aqui a metamorfose é constante.
Ambulante, e Seixas concorda comigo.
Prefiro assim, e o saber não é igual.
Nada em mim foi tão claro.
O tempo está ao meu favor.
Minha mente viaja e meus pés ainda estão aqui.
Uma hora vais entender, uma hora vais aprender,
Que sou mulher e não menina.
Que sou assim, do jeito que acordo.
Cabelos no ombro, olhos sujos e lábios macios.
Pele morena, unha por fazer e seio pequeno.
E o mundo sempre foi colorido, mas não sou dele.
O verso continua em transe,
E eu com ele me envolvo.
Por enquanto gosto do que sinto.
E sinto o que por enquanto me permito.
No tempo que pelo meu ponto de vista tenho,
Das várias vezesque parei pra ver o que não me lia.
Optei por amar mais e deixar o de menos pra trás.
E a vida segue,
Em cima do meu corpo e alma intactos.
Virgem de problemas pequenos,
Sou mestre dos meus atos.
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Velho desejo
Que em mim nasça a vontade absurda.
E em letras insípidas as dores diárias
Dos amores em diários de gaveta.
Das vontades insanas e insinuadas.
Clamo por amor a longo prazo.
Sem devolução, nem arrependimentos.
Seria bom, talvez mais, pra variar um pouco.
Que ele viesse dos meus poemas.
Carregado de razões e medos.
Sem restricões e receios.
Apenas do jeito que ele precisa ser.
Para me fazer acreditar.
Para o poema rimar.
Para as canções serem o que são.
Rítmicas, em prosa.
E o sabor fique na pele.
O cheiro no vestido florido.
E nos sonhos sejam aqueles olhos.
E aquele velho desejo,
De morrer só se for de amor.
A.F.
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